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17 maio 2017

Já pensou em subir um vulcão? Conheça o Vulcão Lascar no Chile

Qual viajante nunca pensou em subir um vulcão? Eu! rsr sim, eu nunca pensei em subir um vulcão, primeiro porque pensei que esse tipo de atividade fosse apenas para atletas e segundo porque realmente era algo surreal para se pensar! Mas chegando no Deserto do Atacama as paisagens me inspiraram a interagir ainda mais com a natureza e topei o desafio, porque não?

O Deserto do Atacama  no Chile possui muitas formações montanhosas e opções de atividades “radicais” para iniciantes a experientes, nas opções que tínhamos o Vulcão Lascar foi o mais possível pelo tempo e distância que estávamos.

Com 5.592m de altitude o Lascar é o Vulcão mais ativo do norte do Chile, teve sua grande erupção em 1993 no qual as cinzas chegaram até o sul do Brasil. Em abril de 2006 iniciou uma nova erupção e lançou fumaça a mais de 3 mil metros de altura, em 2012 houve mais um susto no qual a cidade de San Pedro do Atacama decretou “alerta amarelo” frente ao aumento da movimentação sísmica.

ANTES DE SUBIR O VULCÃO LASCAR

Existem poucas lojas que vendem este tipo de passeio, encontrei apenas duas no centro da cidade e escolhemos a agência Vulcano pela estrutura e atendimento. É preciso questionar aos profissionais tudo sobre o percurso, condições climáticas da época e entender se é adequado para a sua resistência física. Segue o Site da Vulcano para adicionar na sua pesquisa.

Evite bebidas alcoólicas e comida pesada (gorduras, carne vermelha..) no dia anterior ao passeio. De preferência use roupa especial para trekking, caso não tenha escolha roupas quentes e flexíveis. No centro existem lojas de roupas e material esportivo, caras, mas vale dar uma olhada.

Saímos pela manhã com a mochila e muita disposição. A van passou no nosso hotel cedo e seguimos em direção ao vulcão por 155km com mais oito corajosos. No caminho uma parada para acostumar com a altitude e tomar café da manhã com a janela azul abaixo, onde foi possível ver de longe o Lascar nos esperando.

DICAS PARA SUBIR O VULCÃO LASCAR

– levar na mochila apenas o básico, pois todo peso torna a subida mais cansativa, então apenas uma água, câmera fotográfica, bolinhas de chocolate (já explico o motivo..) e manteiga de cacau;

– conferir se a roupa é suficiente, incluindo os acessórios como manta, luvas e casaco. Nosso guia tinha roupa e sapatos extras para os desavisados;

– tentar falar o mínimo possível ao longo da subida e seguir um ritmo lento e constante;

– evitar pegar ou guardar objetos na mochila, pois o vento é forte e você fica lento demais.. pode perder alguma coisa;

– correr, cantar, saltar para foto nem pensar;

– é importante conhecer os sintomas gerados pela altitude, principalmente nos primeiros momentos da subida para não se assustar e dar tempo para o corpo;

– esclareça todas as dúvidas com seu guia e siga todas as orientações;

SUBINDO O VULCÃO LASCAR 

Depois de preparados começamos a jornada! Os primeiros 30 minutos são os mais importantes e difíceis, é neste período que nosso corpo se entende e acostuma com a loucura que é a altitude; a respiração fica pesada, o pé mais ainda, a cabeça começa a doer e o coração acelera. Se passar por esta fase inicial de forma tranquila é um ótimo sinal. É preciso ter calma e paciência, respirando fundo e seguindo em frente. Nessa etapa uma pessoa desistiu e desceu para esperar no veículo.

Passados estes minutos o corpo começa a se acostumar com aquela respiração e a caminhada ganha ritmo, mesmo que lento. Você já consegue olhar ao seu redor e contemplar toda beleza, a van vira um pontinho lá embaixo e começa a ficar divertido. Nesse meio tempo você percebe que o ideal é ficar quieto, que uma palavra cansa e que não pode deixar sua luva voar.. pois não existe força pra sair correndo atras dela. E mais um casal desiste e desce..

Na segunda hora, o corpo está exausto, pois além dos efeitos da altitude o terreno é pedregoso e escorregadio. Os passos são muito curtos e é preciso parar a cada poucos minutos. Esta sensação não foi só minha, e sim das 5 pessoas que continuaram.. desde os menos aos mais preparados. Nesta última hora começa o sentimento de luta e de superação, as palavras do guia são essenciais e a parada pra comer umas bolinhas de chocolate foram decisivas (se soubesse teria levado.. chocolate é energia) para o final da trip.

Quando vimos que a chegada estava próxima o corpo realmente sabia que precisava parar e que era o limite. O sentimento por conquistar estas mais de 3h de caminhada, vento, frio, altitude.. foi indescritível. O visual lá de cima fez valer cada passo, um vulcão adormecido com muito cheiro de enxofre, fumaça e vida lá embaixo. Deu pra sentir o calor daquela montanha, assim como imaginar quão poderosa ela pode ser.

Algumas lágrimas discretas e corpo mais leve conseguimos agradecer por estarmos ali, rolou até um abraço coletivo! foi muito bom. A montanha é considerada sagrada para os antigos, aproveitei para agradecer a oportunidade e pelo presente que é poder viver.

Na foto eu e meu companheiro de aventuras que topou o desafio e superou com louvor!

Depois a descida foi muito mais fácil e a volta deve ter sido pouco mais que a metade do tempo da subida. Na descida é preciso tomar cuidado com as pedras para não cair, use o bastão para se equilibrar e evitar acidentes.

Gratidão é a palavra!

Nosso blog tem o objetivo de te inspirar a planejar e realizar viagens inesquecíveis, espero que eu tenha conseguido contando sobre esta experiência tão importante para mim.

Lembrando que é preciso respeitar o limite do seu corpo, vá com determinação mas consciente!

🙂 Leia mais sobre minha viagem pelo Deserto do Atacama nos posts sugeridos abaixo!

Por Laiza
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